
Debates RSE na Mídia 2010: Região Nordeste

Jornalistas de Recife, Vitória e Rio de Janeiro debatem pauta de sustentabilidade e gestão dos veículos de comunicação
No último dia 28 de julho, das 10h00 às 12h30, estiveram reunidos no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), em Recife/PE, jornalistas de veículos de comunicação locais e de outros estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo para debater o tema da sustentabilidade na pauta jornalística e na gestão das empresas de comunicação.
O evento faz parte do Programa Responsabilidade Social Empresarial na mídia, iniciativa promovida pelo Instituto Ethos que, desde 2000, contempla discussões que envolvem o posicionamento da imprensa no que diz respeito à sustentabilidade. Em Recife, além de levantar como a mídia tem feito a cobertura dos problemas locais e dos impactos das mudanças climáticas, o objetivo era promover a troca de experiências do que é realizado no Rio de Janeiro - por meio do caderno Razão Social, de O Globo- e no Espírito Santo, na gestão da Rede Gazeta, afiliada da TV Globo.
Neste sentido, o debate contou com a presença do editor-executivo do Diário de Pernambuco, Sérgio Miguel; da editora do Jornal do Comércio, Maria Luiza Borges; da jornalista Josilene Marins; da editora do suplemento Razão Social de O Globo, Amélia Gonzalez; e da gerente de comunicação empresarial da Rede Gazeta, Letícia Lindenberg. A moderação foi da superintendente do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania, Saritta Brito.
O tema escolhido para iniciar as discussões foi o das chuvas que recentemente atingiram Pernambuco e Alagoas e que nos últimos meses também devastaram São Luiz do Paraitinga, Niterói e Florianópolis. Saritta destacou que no caso de Pernambuco não se tratava somente do impacto das mudanças climáticas, mas também da ação humana: lixo jogado nos canais e rios – dificultando o percurso da água; desmatamento dos morros e crescente impermeabilização da cidade de Recife. Maria Luiza concordou com a afirmação e disse que o rio Una não era o vilão da história. “É preciso perceber o quanto ele vem sendo permanentemente agredido pelo homem.”
A cobertura sobre sustentabilidade em cada veículo de comunicação é marcada por diferentes visões. No Rio de Janeiro, Amélia avalia que a mídia está muito viciada em trabalhar com dois pólos: o negativo e o positivo. Neste sentido, ela acredita que no lugar de aprofundar a pauta sobre sustentabilidade e buscar a transversalidade dos assuntos, os jornalistas ficam escolhendo o bandido e o mocinho que irão protagonizar suas reportagens. Josilene, jornalista independente que já trabalhou em vários jornais de Recife, é crítica em relação ao avanço do tema na mídia local. Segundo ela, Pernambuco está em um período forte de crescimento, pois os investimentos do governo e das empresas estão concentrados no Estado. Entretanto, o tema não é contemplado como critério neste processo de expansão e também não está na pauta. “Um chefe de redação com quem trabalhei teve a coragem de dizer que entre um caranguejo e um resort, ele ficava com o resort. Este comportamento revela muito de como a questão é vista na imprensa”, desabafa.
Uma empresa que tem se destacado por priorizar a responsabilidade social em sua gestão é a Rede Gazeta, afiliada da TV Globo no Espírito Santo. Letícia Lindenberg, gerente que tem coordenado este processo, conta que não é fácil levar esta questão adiante em um veículo de comunicação, mas que já conseguiu envolver a equipe a preencher os Indicadores Ethos-ANJ para o setor de jornais e que acaba de lançar um relatório no formato Global Reporting Initiative (GRI). “É preciso fazer a lição de casa. Como cobrar um comportamento socialmente responsável das empresas se não o temos em nossa própria organização?”
O editor Sergio Miguel concorda que não basta ter um caderno que faça uma cobertura pontual do assunto e que ainda há muito que avançar quando se considera os veículos de comunicação do Nordeste. “O Diário de Pernambuco tem uma seção de meio ambiente, mas reconheço a importância da sustentabilidade ser transversal nas demais editoras. Este debate é uma iniciativa fundamental para esta troca de experiências.”
O público presente, de mais de 80 pessoas, elogiou a realização do evento, mas cobrou dos veículos de comunicação representados mais atenção a pautas de responsabilidade social empresarial e um papel mais educativo por parte dos jornalistas.
O próximo debate RSE na Mídia ocorre em Brasília/DF, dia 18 de agosto de 2010, e tem como tema “Transparência na cobertura das eleições”. Para participar do Programa RSE na Mídia, acesse: www.ethos.org.br/rsenamidia.
Por: Patrícia Saito, Coordenadora do RSE na Mídia do Instituto Ethos
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